segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

em mim sem fim

ó, escrevi tudo isso aí
disso aí fiz o ó
olhei o mundo aos meus pés
os mestres deixei pra trás
fiz bonito, viu
bonito que só vendo
era só botar ponto final e pronto
não havia pedra no caminho
não tinha alma na terra
que resistia a um sorriso falso
intelectual, mas falso que só
mesquinho quase
afinal, ninguém é de pedra, né
viajei muito, sabe
tudo grátis, uma beleza
acumulei muita milha
fiz muito aprendiz, muito amigo
me pediam aprovação até
- olha só, vou arriscar umas palavras nesse livro...
- olha aí, vê o que você acha disso...
sabe, até lia coisa ou outra
viu, não conta pra ninguém não
mas não lia todas porque eram ruins que só vendo
eu mesmo não comprava essa idéia de livro de palavra arriscada
coitado de mim, imagina
muito risco, compreende
essas coisas contaminam a gente
olha, não vá contar isso pra alguém, viu
resolvi por bem parar, então
não li nada além da minha própria poesia
ela ficou assim que só ela
uns dias me pedia companhia
mas logo se esquecia dessas idéias sem juízo
calava bonito, de dar gosto
vencia o próprio desejo, quem diria
eu ficava orgulhoso, precisa vê
mas foi numa noite que me abandonou
foi sem dó no escuro que o deus do mal ofereceu
fiquei eu só que só eu
tive notícias um dia
mas me doeu tanto o coração
saber que podia ser feliz sem mim, sabe...
ih, mas fiz mais que você nem faz idéia
tratei de ter um novo amigo
suei de um tanto, mas encontrei
dei um trato, ficou um brilho
é pena que dele não posso dizer muita coisa
é tímido, desses gênios que não se encontra por aí
diz que queria ficar assim mesmo, escondido, fazer o quê?
entendi, pois é, disso não tem como ser contra
digo, melhor um domo sem saída que uma vida sem dono, né?

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