segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Enigma profético encontrado, no séc. XVI, nas abadia de Télema: jogo de tênis, de vôlei ou a decadência e a conservação da verdade divina?

Pobres humanos, que esperais a sorte, elevai vossos corações para ouvir-me. Se com firmeza é permitido crer que, dos corpos que estão no firmamento, um espírito humano possa vir para anunciar as coisas do futuro, ou se, em virtude de um poder divino, pode ser o destino revelado, de forma que, por meio de palavras, se julgue o curso dos futuros anos, faço saber a quem quiser ouvir que, no próximo inverno, o mais tardar, antes talvez, no mundo em vivemos, surgirá uma nova espécie de homens que, fartos de repouso e de lazer, francamente virão, em pleno dia, aliciar gente de toda qualidade para as suas demandas e processos. Aos que lhe derem créditos e os ouvirem, tratarão logo, custe o que custar, de mostrar, em debates simulados, amigos entre e até parentes. Não fugirá o filho ao impropério de rebelar-se contra o próprio pai. Mesmo os fidalgos da mais pura estirpe serão agredidos por seus vassalos. O grande dever de honra e reverência perderá por completo seu sentido, pois dirão que cada um por sua vez há de subir, para depois descer: tanta briga haverá por causa disso, tantas discórdias, tanta confusão, que não existe ainda em toda a história notícia de emoções assim tão fortes. Muitos homens ilustres serão vistos que, pela tentação da juventude, no calor do seu férvido apetite, serão cedo arrastados para a morte. A ninguém será dado abandonar a tarefa de início começada, sem encher, com disputas e debates, o céu de bulha e a terra com seus passos. Terão, nessa era, a mesma autoridade tanto os homens sem fé como os verazes, pois todos seguirão a crença e o estudo da estúpida ignorante multidão, da qual o mais boçal será juiz. Que horrível e fatídico dilúvio! Sim, digo bem, dilúvio, e com motivo, porque essa luta não terá mais fim e livre dela o mundo ficará somente quando as águas subitâneas, irrompendo da terra, submergirem mesmo os mais moderados combatentes: com razão, pois para isso pelejaram, de forma que nem mesmo perdoarão os pobres e inocentes animais, com cujos intestinos desonestos não sacrificarão, decerto, aos deuses, mas aos mortais irão prestar serviço. Desejo, agora, ver-vos descobrir de que maneira será gasto tudo e que repouso, em tão profunda luta, terá o corpo da máquina redonda. Os mais felizes, os que mais tiverem, não querendo fazer-lhe grande mal, procurarão, por todas as maneiras, submetê-la e, por fim, encarcerá-la, de tal forma que a pobre desgraçada recurso algum terá além de Deus. E, tornando maior a desventura, o claro Sol, antes de entrar no ocaso, deixará que sobre ela a escuridão seja maior que a noite natural. Perderá, pois, não só a liberdade, mas também o favor e a luz do céu, ou, pelo menos, ficará deserta. Antes, porém, dessa ruína e perda, será sensivelmente sacudida por tão grande e violenta terremoto que nem o Etna teria feito tanto ao cair sobre um filho do Titã. Nem mais súbito deve ser julgado o movimento feito por Inárima quando Tifeu, colérico, lançou as montanhas no fundo do oceano. E, assim, será tão triste o seu estado e tamanhas mudanças sofrerá que mesmo os que a fizeram prisioneira deixarão que outros venham ocupá-la. O momento propício chegará de terminar, enfim, este exercício: as grandes águas de que ouvis falar farão que todos tratem de abrigar-se. Mas, antes da partida, lá no empíreo, poderá distinguir-se, claramente a luz intensa de uma grande chama que porá fim à água e à empresa. Só restará que os salvos do acidente, refeitas suas forças, como eleitos, recebam o maná e os bens celestes, e, finalmente, como recompensa, se enriqueçam bastante. Quanto aos outros: não devem ganhar nada, e com razão, pois é preciso que, chegando aqui, cada pessoa saiba o seu destino. Foi esse o acordo, que só podem honrar aqueles que no mesmo persistirem!

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