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terça-feira, 20 de março de 2007

Quesabemos: Julia

Que sei eu de mim se tudo o que vejo nada mais é do que meu ego embaçado no espelho. Espelho das águas do rio que passa, lava os sofrimentos mal resolvidos e leva os êxtases deste caminho solitário. Rio da vida impermanente; até que se ponha um ponto final. Ponto final que projeta sua alma no mundo desconhecido; fim e início de novo caminho. Que sei eu do divino, que só é divino por eu não sabê-lo; que sem saber acredito. Que sabemos nós um do outro, que apenas nos julgamos tão levianamente, a partir de nossos pontos de vista, através de pequenas janelas de nossas almas. Não sabemos de nada, apenas desconfiamos de muita coisa.

Julia não havia publicado nada

sexta-feira, 16 de março de 2007

Quesabemos: Claudinha

Metalinguagem

Metalinguagem consiste no ato de escrever um texto falando do próprio texto, fazer um filme tratando do filme.

Não, não podemos nos limitar a esses exemplos vagos de metalinguagem, até porque o seu verdadeiro significado ultrapassa a limitação do seu conceito e de seus exemplos.

Mas, vamos lá, escrever um texto sobre a “maneira de escrever um texto metalingüístico”...

Que metalinguagem expressa, não é? Acredita-se (acredito eu, na realidade), porém, que a regra número um para se escrever um bom texto metalingüístico é a de não torná-lo tão expresso, porque o interessante é que o leitor o analise e conclua diante das suas reflexões que se tratava, na realidade, de metalinguagem (“metalinguagem implícita”).

E por que não uma metalinguagem implícita que se relacione com o próprio leitor? Que o faça enquadrar a situação pela qual está vivendo ou já viveu com o texto que se dirigiu a ele? - Como? O texto se dirige ao leitor? Sim, pode-se entender que o texto chega àquele que precisa lê-lo no momento exato em que as questões tratadas naquele texto farão com que o leitor reflita e cresça. - A metalinguagem, neste caso, está no leitor e não no próprio texto.

Mas, será que a metalinguagem expressa também não pode causar esse efeito ao leitor?

Conclui-se que sim; a metalinguagem expressa também pode surtir muitos “efeitos positivos” ao leitor (*) (digo de outros textos metalingüísticos expressos e não deste texto).

Nota-se que a regra número um já foi contrariada...

E então, como se faz para escrever um bom texto metalingüístico, expresso ou não expresso, com “efeitos positivos”??

Aí está a resposta. Se a regra número um já foi de pronto contrariada é que, para se escrever um bom texto, não há regras a se seguir, não há uma forma certa ou errada, porque todas essas regras criam, na realidade, uma limitação. E o escritor limitado não criará textos com “efeitos positivos” e impossibilitará que o leitor “viaje” pelos mundos criados por ambos.

Não se limitar... Mas... Será que isso também não é uma regra?


(*) “Efeitos positivos”: não se pode confundir “efeitos positivos” com sentimento de felicidade e bem-estar instantâneos. Porque um texto bom pode causar um impacto no leitor que não seja, inicialmente, feliz. Aliás, o impacto pode causar no início uma situação de desconforto no leitor e inclusive gerar uma infelicidade, mas o texto pode auxiliá-lo a crescer, a enxergar questões que estavam escondidas por detrás de um véu negro que não lhe saía dos olhos.


Claudinha nunca publicou.

terça-feira, 13 de março de 2007

Quesabemos: Ana Lira

Antes de clarear...

Um dia desses, assim, como em um susto, o meu colega João Pedro me perguntou se eu podia escrever algo sobre o que eu não conhecia. Eu fiquei dias pensando e, em outro momento, como em outro susto, me peguei pensando que o desconhecer não é o oposto do conhecer, mas uma etapa no comecinho deste processo de relação com algo que a gente acaba de ser apresentando.

Bom, eu não sei se ficou claro, então, vamos continuar. Eu refleti e vi que existem uma série de coisas no mundo que eu desconheço, mas se você me pedir para fazer uma lista dos elementos, sentimentos, vivências, histórias que eu não conheço, eu jamais conseguiria, porque, de certa maneira, você precisa entrar em contato com o objeto desconhecido para sentir que ele te é estranho.

Por exemplo, algumas pessoas que convivem comigo têm um pouco de preconceito com as benzedeiras – que são aquelas senhoras que aprenderam as rezas das gerações passadas de suas famílias e usam ervas e folhas, como as de arruda, para afastar o excesso de energia, que chamamos popularmente de mau olhado. Para mim, isso é absolutamente normal, pois eu venho de uma família de índios e negras que utilizavam a reza para purificar o lar e a energia das pessoas; mas para quem desconhece o assunto ou não tem proximidade com ele, isso é a maior loucura.

Contudo, para que essas pessoas pudessem ter essa sensação de estranheza com as benzedeiras, elas precisaram saber que essas mulheres existem e um pouco do que fazem. Pensando neste aspecto, eu vi que sou ignorante em uma série de coisas: não sei como funciona o Ciclo de Krebs, por exemplo, mas sei que ele existe e alguém disse que ele é fundamental para o nosso corpo. Também me falaram que tem a ver com a liberação de energia, mas eu nem sei se é verdade. É verdade?

Outro dia me perguntaram se eu não tinha medo da minha tia-avó, que é benzedeira, e se ela não era uma bruxa. Queria eu que ela fosse uma bruxa, assim poderia entender melhor uma série de relações com a natureza, que os bruxos e bruxas da antiguidade cultivavam e que a nossa cultura ocidental e católica exterminou. Está vendo? Este é mais um item que eu desconheço: as religiões que se relacionam a natureza. Conheço bem o catolicismo, um pouco do espiritismo e do candomblé, que foram as religiões que cruzaram parte da minha família, mas o seguimento espiritual do meu bisavô paterno, que era índio, eu não conheço. Acho que vou voltar a pesquisar sobre religiões, que era uma das coisas que eu adorava ler a respeito.

Será que eu consegui explicar a relação entre o conhecer e o desconhecer? Saber que existem coisas no mundo que ignoramos, nós sabemos, mas para saber efetivamente o que nos é estranho, distante, é preciso um primeiro contato. Nem que seja apenas um nome soprado na rua ou uma palavra que te fazem decorar na infância – uma professora me fez decorar inconstitucionalissimamente e eu ignorava o significado desta imensidão vocabular – ou um recado no blog na internet. Eu não conhecia o João Pedro até ele me dar um sinal virtual e ainda não o conheço – apenas fragmentos de sua generosidade com a minha pessoa -, mas o conhecimento nasce disso, dessa coleção de fragmentos que vamos juntando, ao longo da vida, sobre as coisas, sentimentos, pessoas, saberes e vivências que nos interessam.


Ana Lira publica em: (i) A Ostra e o Vento; (ii) Câmera Varzeana; (iii) Revista Rabisco; e (iv) Comunidade Boi Voador

quinta-feira, 8 de março de 2007

Quesabemos: L. Vukku

Rosalinda, a nenhuma
Mia Couto

Rosalinda era mulher retaguardada, fornecida de assento. Senhora de muita polpa, carnes aquém e além roupa. Sofria de tanto volume que se sentava no próprio peso, superlativa. Já fora esbelta, dessas mulheres que explicam o amor. Magreza sucedida em seus tempos. Pois que, desde que enviuvou, ela se desentreteu, esquecida de ser. Rosalinda, agora, se cansava de tanta hora: mascava mulala, enrolando a saliva-laranja. As mulheres gordas não zangam com a vida: fazem lembrar os bois que nunca esperam tragédias. No desfolhar das tardes, ela se aprovava em triste rotina. Visitava o cemitério. E isso fazia muito diariamente. A campa do falecido marido, o Jacinto, ficava bem no fundo do cemitério. Condizia com o lugar que ele sempre tivera, nas traseiras da vida. De passo miúdo, Rosalinda rumava entre as moradias subtérreas, vacilando como se magoasse em sua própria sombra.
Já no lugar, ela em si se ajoelhava, vencendo as pernas. E ali se deixava, na companhia sozinha do defunto.
Assim se foram prostrando as datas, anos suados, anos somados. Rosalinda se antepassava, tantos eram os parentes já enroscados no grande sono. Só ela restava, em seus retroactivos pensamentos. Junto à campa, ela se memoriava:
- Jacinto, grande sacana.
Com gesto terno, ela alisava a areia, afagando lembranças. Deus lhe punisse, Deus adoecesse. Mas quem explicava aquela saudade do sofrimento, o doce sabor das amargas lembranças?
- Tu me amarraste a vida, me forneceste de porrada.
(...)

Vukku é um nenhum de Moçambique e, como não sabe nada além de copiar, enviou-nos um texto (bastante incompleto) de um compatriota. Ele agradece à portuguesa Catarina.

domingo, 4 de março de 2007

Quesabemos: E.R.G.

QSEDQ? Sofregozar?

Se há algo que me aguça a curiosidade e se constitui, cada vez mais, em enigma indecifrável, esse algo é o masoquismo – que, diga-se de passagem, sempre vem acompanhado de algum grau de sadismo como contrapeso.

O fato de que alguém possa realmente sentir algum prazer na dor tem me feito gastar, até agora em vão, uns bons neurônios. E digo isso porque minha natureza é completamente avessa a qualquer tipo de sofrimento. Fujo da dor tal qual gato da água. Ela me é incomoda, desorientadora, chega a ser inadmissível. Mesmo quando inevitável, todas as defesas de meu corpo e de minha mente são automaticamente acionadas assim que ela se me apresenta. E quando não há remédio possível para a dor, dada a sua inevitabilidade, trato de sofrer o mais rápido e o mais intensamente possível os seus efeitos para, assim, extinguida, dela logo livrar-me.

Mas como reconhecer um masoquista? Há dois sintomas básicos: o prolongar-se da dor e o reincidir-se nela. Pois a dor mesma, não há como negá-la. Estamos vivos, logo sofremos e sofreremos as dores mais variadas ao longo de nossa efêmera existência. O próprio parto virou símbolo máximo do sofrimento: da mãe pela dor física; do bebê pela perda do conforto uterino; da parteira pela responsabilidade; e até do pai, pela impotência. Qualquer um que já viu um recém-nascido chorando reconhece ali o ato de sofrimento supremo, mesmo que a razão entenda que o choro do bebê nada mais é do que a falta de todas as outras possíveis linguagens: “Quem não chora, não mama!”

Mas mesmo o bebê pára de chorar assim que lhe dão o peito ou trocam-lhe as fraldas. Bebês não tem depressão ou angústias, tem necessidades! Qual o porquê, então, das autodestruições? Dos relacionamentos alimentados pelo conflito? Das depressões prolongadas? Do abuso de anestésicos que só prolongam a dor sem curá-la, mesmo sabendo-se disso? Não sei.

Li em algum livro de psicologia que a dor, quando muito intensa ou quando sentida por um período longo demais, acaba tomando o lugar de todo o resto e se torna o próprio espaço onde a vida se dá. Ou seja, o pensamento do sofredor é o de que se a dor acabar, não haverá mais nada. A dor é algo tão presente, tão intensamente experimentada, que sem ela a vida perde o sentido. Há mesmo um conforto e um prazer nesse “lugar”. Segurança. Enquanto se sente dor, sente-se algo, existe vida. Aquilo torna se a única coisa reconhecível, a derradeira referência existencial.

Certo. Vá lá. É uma teoria válida! Racionalmente, até consigo entender esse “lugar”. O que me atrapalha é reconhecer que o simples fato de existir como ser vivo constituido de bilhões de células – átomos até – coexistindo com bilhões de outros seres vivos, em um planeta magnífico, que por sua vez não é nada além do que uma poeirinha que flutua no nada em meio a um espaço sideral infinito, e ainda ter consciencia disso tudo, já é, por sí só, o maior dos milagres! Que dor é relevante o suficiente para que se sabote o milagre de viver?

Some-se a isso o fato de que cada um é o único responsável por seus atos, que cada um é o único tem o real poder de transformar os próprios valores em quaisquer outros e a qualquer tempo, desde que se tenha a humildade de reconhecer que, no fundo, somos sós e, a rigor, não temos mais ninguém no mundo além de nós mesmos. Daí o prolongamento da dor e do sofrimento torna-se, então, quase que inverossímel, posto que exista. Resta-me apenas a resignação de saber que, perante um autêntico masoquista, nada sei sobre a vida. E o conselho que daria a ele (ou ela, que são muitas, senão todas), acaba servindo para mim mesmo:

“É preciso aprender a só ser. É preciso aprender a ser só.”


E.R.G. publica em www.diariodamadruga.blogspot.com

quinta-feira, 1 de março de 2007

Quesabemos: Nicodomus L.

BURACOS

no meio do caminho tinha um buraco.
Drummond/Nicodomus L.


depois de ler neste site uma terrível previsão, que me fez o divino favor de me dar uma desculpa para ficar dias sem sair de casa, uma previsão de que o mundo inteiro seria sugado por um buraco iniciado pelas mãos de um técnico de uma empresa telefônica chamada teleterra, vi pela televisão um buraco enorme em são paulo que me fez lembrar, se é que ela realmente houve, a minha infância. os carrinhos que eu enterrava, sem saber que, na verdade, eu não tinha era coragem de me enterrar a mim mesmo, que jogava com força no meio do formigueiro, os carrinhos que sumiam nos brejos em meio ao coachar - lembrei dessa - das rãs, esses mesmos pareciam aqueles caminhõeszinhos lá embaixo do buraco de são paulo. da minha parte, que é a que me interessa, tenho minhas conclusões para as causas do incidente, para o que utilizei de métodos os mais cientifícos, como me fora ensinado pelo meu falecido avô de origem iuguslávia. dizia ele que para aqueles lados também foram feitos muitos buracos onde caíam gente, embora no caso deles já fossem morta ou logo seriam. isso me lembrou de hollywood, que me mostrou cordealmente e pela metade do preço, posto que lhes provei que sou estudante, o que não sou, aliás, como ninguém é, pois me mostrou aqueles buracos onde a densidade demográfica de judeus era alta, impressionante, provando mais uma vez a enorme capacidade que esse povo tem de se aglutinar - voluntariamente ou não. outro dia fui ao cartório - eles sempre aparecem na minha frente sem que eu saiba de onde eles vieram - e dei de cara com um homem-buraco, mas não vice-versa. nesse caso não foi nem necessário avançar ao passo onze do roteiro de investigação cientifícia iuguslava que me foi ensinado por um senhor que me dizia ser meu avô e que, por ser isso confirmado por outra pessoa que se dizia ser meu pai, não tive outra saída senão fugir de casa. me lembrei bem disso porque quando jovem também eu tivera espinhas e, embora a igreja ou alguém que não lembro quem me informasse que isso tem relação com atividades masturbatórias, não me considero que eu era um grande punhenteiro à vista do que me fiz hoje, tendo também em conta que meu conceito de punheta aumentou bastante desde então. o pobre cartorário, caso os cônegos estivessem certos, devia de ser um grande mão-de-ferro, se é que me entendem: a auto-ditadura do prazer. essa coisa de dita-dura me faz lembrar outro buraco, de uma menininha de treze anos com quem tive algumas felações superficiais em um show do rock'n roll brasileiro ocorrido em um ginásio universitário de esportes. bem, sei que nessa frase passada há muita coisa errada, principalmente a indicação de existência de rock'n roll brasileiro, o que não me importa agora nem na época me importava; me exportei sim minha mão para dentro da saia dela e, tendo em vista a sua reação típica de um país socialista impondo salvaguardas comerciais para importação de produtos tecnológicos, posso afirmar categoricamente como um garrincha que ela ainda permanece virgem, ou seja, mais um buraco inutilizado neste mundo. o mundo aliás, alguém já me tentou provar que é na verdade um grande buraco, e não uma grande esfera. aceito até atualmente essa teoria, que deixou de sê-la quando tive uma das idéias mais geniais que minha mente já pode produzir sob estado de rampante excitação, com menos ou mais-valia de mim mesmo sobre mim, mas principalmente sobre os outros, enfim: quando, em meio a uma discussão calorada com uma garota marroquina sobre a origem das crateras de golan, ela me disse então que eram colinas, fiquei um pouco irritado e dei um tapa de-baixo-para-cima na tigela de sopa que tomava e esta voou em movimento balístico magnífico até encaixar perfeitamente na cabeça da tal marroquina; daí tirei então duas conclusões: a de que as marroquinas têm cabeça pequena e outra de que uma tigela pode ser também, além de um capacete marroquino-feminino, uma esfera, se bem encaixado em outra meia-tigela. quase escrevi um artigo denominado "a outra face da tigela", mas não encontrei palavras que expressassem de mim mesmo o que eu achava disso tudo, além da ambivalência natural e inerente aos buracos, assim como a tudo neste mundo, ou neste buraco: o fato de que, se sendo, não se é.

Nicodomus L. publica em www.mistiforio-do-cornimboque.blogspot.com

P.S.

Há milhares de buracos.
Um
buraco acontece quando se vai longe demais.
A miragem que um sujeito cava pra si mesmo é a face escura do
buraco.
A face clara do
buraco é o buraco.
O
buraco é o lugar de se cultivar a sede.
Não há
buracos quentes.
O Saara e o Pólo são
buracos frios,
como tudo que a distância faz.
No
buraco se anda em círculos.
Não se sabe o tamanho de um
buraco,
se ele vai mais fundo.
De dentro tem o tamanho do mundo.


Arnaldo Antunes/Nicodomus L.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Quesabemos: Cardoso

O FANTÁSTICO MUNDO DAS COISAS

1. A Colher

Colher é um apetrecho TALHÉRICO muito esquisito desde criança e, portanto, muito perturbado pelos coleguinhas na ESCOLA. Com a forma de um GARFO DE LUVA levemente ACONCHEADO, a colher é um ser que cresce para jamais sair do SUBALTERNO. Quando adolescente, serve para fazer todo o trabalho duro; as mais PARRUDAS designadas para SERVIR os pratos e as mais MIRRADINHAS ficam com a tarefa de CAVOCAR sobremesas e sopas. Garfos e facas, que ficam sempre com o mais NOBRE da refeição, deleitam-se com a situação e CAGAM NA CABEÇA da pobre colher.

Mas é no UNDERGROUND que a colher ESMIRILHA todo seu potencial. Já adulta e INVARIAVELMENTE na prisão, desde que BEM LAPIDADA, uma colher pode servir de arma MORTAL. Nas mãos de dentistas CHARLATÕES, que não tem VERBA para adquirir aquele espelhinho altamente tecnológico para ver os dentes lá do FUNDÃO, a colher pode virar um excelente COMPARSA em qualquer tipo de FRAUDE.

Como regra FUNDAMENTAL, uma COLHER somente teme e respeita o profissional do ILUSIONISMO, que tem essa mania irritante de DECAPITAR, AMASSOCAR e MUTILAR o pequeno utensílio com seus PASSES DE MÁGICA. Isto transforma a categoria no único INIMIGO NATURAL da colher que, se não for esperta, já está MOLDADA na forma de um CARRO do URI GELLER a essa altura do campeonato

Cardoso publica em www.qualquer.org/codex

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Que sabemos todos de que?

Afinal, o que você aí sabe de que? Acreditem, as pessoas sabem de tudo. Mas não é nisso que estamos interessados, claro. Queremos a ignorância, o dessaber: o queseieudoque,meufilho, enfim. Foi com esse espírito que convidamos gente de todos os cantos do mundo e de todas as áreas do conhecimento para escreverem sobre algo que desconhecem por completo, que não façam idéia, que não entendem, que nunca sequer tiveram uma distante noção da sua existência material. Teve gente que recusou justificadamente, gente querendo saber do din-din, gente desentendida e, claro, aqueles que aceitaram a tarefa de se sentirem livremente ignorantes. Daí saíram as mais diversas teses e estudos baseados nos mais vagos conhecimentos sobre assuntos importantíssimos para o dia-a-dia da humanidade - como é a praxe da pauta do nosso ignorativo (que, óbvio, não tem pauta). É a série Quesabemos em sua primeira edição: serão publicados dois textos por semana, sem qualquer critério, nem para o dia da semana, nem para a ordem de publicação, acompanhados de uma breve apresentação do autor e onde, na internet, pode ser encontrado (se isso for possível). E, claro, estando nós onde estamos, os textos só serão publicados após o nosso esperado entrudo.
Fiquem com os primeiros colaboradores do Quesabemos, e livres para serem ignorantes conosco.