segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

dispensáveis

Vamos, amor, vamos, que o tempo não é coisa que se brinque. Brincadeiras à parte, não quero esperar amanhã para lhe ver. Vamos, vamos logo com tudo isso. Amanhã pode chover, amanhã pode morrer alguém, pode arrumar compromisso inadiável, vai saber. Logo logo você vai estar ocupada demais com as suas coisas e com as coisas dos outros e eu vou acabar ficando de lado. Então deixe tudo isso de lado agora e vamos nos ver. Eu também tenho lá minhas coisas, mas acabo sempre arrumando tempo para você, você é que não deixa nada de lado e acaba me deixando. Você pode me deixar, mas hoje acho que devíamos nos ver. Não pense demais que você vai acabar vendo intenções estranhas e razões terceiras para não me ver. Vamos, deixe de sei-lá-não-sei. Eu sei que o melhor é a gente se ver, aí depois pode ir cada um para o seu lado, que tem lado para todos lados, mas agora quero você do meu lado. Não é pedir muito, é? A gente sentado na grama, observando o mar, uma árvore ao lado, alguma coisa singela para comer e outra para beber, um carinho de vez em quando, quem sabe um beijinho na bochecha? Mas quero mesmo ouvir sua voz contando suas histórias, fazendo jeito para dizer o que gosta, revoltando-se com o que não gosta. É disso que gosto, é isso que quero agora. Vê, não tenho jeito com essas palavras, não quero mais dizer nada. Tudo o que eu quero é estar com você, ainda que o silêncio seja nosso único assunto. Mesmo que você só tenha olhos para o mar ou para um eventual pôr-do-sol, vou ter sempre os olhos para você olhando o mar e o pôr-do-sol, que coisa mais linda. Vem, me dê a sua mão, me deixe acariciá-la e ficar em silêncio, para que nada mais atrapalhe a sensação de lhe ter. Vem, me deixe ficar quieto. Vamos, deixe-me calar essas palavras cansadas porque o amor nunca se cansa.

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