segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

sábado na feira (a metamorfose caipira)

fugi das águas dos automóveis

mal fez sol veio a chuva

em meio à fuga caí na feira

saí da ladeira para a beira do rio

pro menino prometi uns trocados

e me meti nos barracos com esbarrões

pra salada os maços do grião e azedinha

e do çafrão e cebolinha para o tempero

cortei o bacaxi pra experimentar

e me fez bom ar a doçura do pesgo

e a formosura do cesto de mimosa

e crespa e mericana que haja alface

do macujá fora da época fiz desfeita

disse da mêxa que tava brilhosa

e da alfafa grossa que sobrou no sol

que ficou qual anzol torta e esgarçada

na vorta co’as mão cheia de sacola

evitei parar nas uvitáia sem caroço

mas a saia da moça não resisti

e fiz que não vi quando o marido olhô

e já de cansado fui-me embora

de carambola e manga-espada

e pesada que tava as gibêra que levava

derradêra a vaji pra galinha só mais levei

e mais uns jiló verde pra senhora

que minha hora já tarde era

pra tar de paqüera ir tira-gostá

e a gira de porca rifá c’o aurora

móde que nome assim é de sorte

coforme que explicô sô barbosa

que for’as muié nossa

as ôtra são mió de boa

mas só por pôca hora

e de leitoa em prumo

prumei o meu rumo

e fumo pra casa

pra móde durmi

sem qui a muié

isperta qui é

sentisse o mé

qui tomamo no bar

o discanso do lar

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