segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Branco no Preto

Promessa feita, promessa cumprida. Ao que nos estava às mãos (ou melhor, ao mouse), empreendemos os melhores dos nossos esforços. A desgraça, contudo, nos esperava sorridente, ignorando nossa voluptuosa tarefa, desdenhando nossa imperiosa necessidade de encontrar um salvador, que nos resgataria do porão das artes, ofuscaria nossos olhos com a luz autêntica do big-bang artístico, traria os mais elevados dotes anglicanos e franceses ao nosso penoso ofício.
A busca nos levou a desvendar mistérios profundos, incursionar pelos confins do mundo virtual e desembocou em grandes surpresas - ao fim decepcionantes, para bem da verdade.
Assim, tiramos férias do trabalho, desligamos nossos telefones celulares, programamos respostas automáticas em nossos e-mails, abandonamos este site às mínguas e partimos para nossa aventura: encontrar nosso líder em uma semana.
Após diversos contatos (tivemos, inclusive, uma pequena ajuda de organismos internacionais, mas que em nada nos valeram), conseguimos, enfim, alcançar o sopé do que nos pareceu o Olimpo do mundo digital. Vocês deviam ver aquele monte de bits, com a luz binária refletindo seus arbustos de javas, flashs e até os já raríssimos c++. As nuvens cobrindo seu cume, nos atirou à trilha que nos alçaria ao Who's Who do mundo virtual. Ultrapassamos perigos e ameaças, furiosos https, ftps peraltas, temidos htmls. Nada, contudo, pôde deter o QSEDQ em sua busca pelo Iluminismo pós-moderno que nos foi acenado pelo nosso então sonhado líder. Empunhando scraps de igualitè, fraternitè et libertè, seguimos robustos ao nosso objetivo - tudo para o bem dos nossos estimados leitores. Durante os momentos de paz, íamos colorindo o que seria nosso futuro, guiados pelo líder. Ah, quantas glórias imaginamos! Quantas homenagens merecemos!
Ultrapassamos as últimas nuvens, onde nenhum ser virtual poderia alcançar sem antes merecê-lo. O que se passou, então, foi, caros leitores, um arroubo que levou nossas ilusões ladeira abaixo - sim, ali, olhando para baixo, o Olimpo tranformou-se na mais delgada ladeira de um morro carioca. Ah, onde nos levou nossa ambição, nossa ingênua ambição! As lágrimas escorriam ladeira abaixo, entupindo bueiros, servindo aos barquinhos de papel, carregando consigo nossas esperanças - infantis, confessamos.
Nosso almejado líder, sentado sobre uma poltrona "President Confortable", com os pés apontados para o céu, cantarolava, com ares sobremaneira superiores:
- "Mas não faz mal, é tão normal ter desamor, é tão cafona, sofredor, que eu já nem sei se é meninice ou cafonice o meu amor..."
Foi o que bastou aos nossos ânimos, já tão abatidos pela luta travada durante todo o caminho. Olhamos o horizonte de sites, blogs, orkuts, msns e, cabisbaixos, conformados, contrariados - imaginem vocês! - miramos nosso velho QSEDQ e não olhamos mais ao redor. Chegando aqui, tratamos logo de relatar-lhes o ocorrido para, sentenciado, nunca mais tocarmos no assunto. Que siga a carruagem, que os cães continuem ladrando, os amantes amando e nós, escrevendo, enfim, do nosso jeito mesmo. Boa quarta-feira, cinza, sim.
Equipe do QSEDQ.

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