que quero eu do que?
I
nunca vivi o que fui:
nem o que vejo é tudo o que sou
II
deito com eles
sonho com o tudo:
acordo com o nada
III
meu querer é míope;
sente
e não sabe nada:
o resto busca saber em mim
IV
sou o que vejo
o que ouço
o que toco
o que cheiro e gosto
ou desgosto:
eu mesmo eu não sou
V
porque vejo, quero
porque quero, sou cego
e sou velho porque apanho o passado que não vivi
mas que agora vejo:
estranho
VI
sou míope
louco
cego:
e estranho
VI
e no dia da minha morte prematura
a primeira delas
as trevas se ocuparam de mim
resolutivas e derradeiras como a fruta madura que cai:
vi frestas da luz criativa e dos seus colaterais
VII
essa luz me ofusca
por escassez ou excesso, não sei
pela tolice talvez
e bebo a água da realidade para curar a dor da ressaca
de atrevido que fui
ou guiado que permiti
por tomar certas resoluções:
sou tolo
VIII
quê pode querer um míope?
como eu
senão a boa-venturança de um futuro límpido?
quê pode querer um louco?
como eu
senão a imediata obediência das suas loucuras?
quê pode querer um cego?
como eu
senão a planície absoluta de seus caminhos?
quê pode querer um estranho?
como eu
senão o aceite justo do seu íntimo?
IX
:mas, meu deus, o que pode querer um tolo?
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Veja só, Marco:
http://queseieudoque.blogspot.com/2005/11/s.html
Naquela época já falávamos em tudo isso. Toda vez que fico vagando pelos nossos arquivos percebo como a minha memória é fraca e como não mudei tanto quanto acho. Ou estou indo mais fundo: um movimento vertical e não horizontal.
Naquela época já falávamos em tudo isso. Toda vez que fico vagando pelos nossos arquivos percebo como a minha memória é fraca e como não mudei tanto quanto acho. Ou estou indo mais fundo: um movimento vertical e não horizontal.
sábado, 8 de outubro de 2011
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
sábado, 19 de janeiro de 2008
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Exposição ENCARA - Uma Reedição Repensada

Nesta sexta-feira (31.8) vai começar uma reedição da "ENCARA", exposição de fotos minhas e da Carol Volpe originalmente ocorrida no Museu de Artes Plásticas Quirino da Silva, em Mococa (foi, aliás e infelizmente, a última do espaço...).
A Carol estará na FAFEM (Faculdades da Fundação de Ensino de Mococa) montando as fotos e os textos - é reedição repensada porque desta vez vai sem os "elementos plásticos" que acompanhavam as fotos nos originais.
É isso, pode continuar.
terça-feira, 17 de abril de 2007
Ela é bela

Se eu lhe disser que sua beleza não é absoluta, esse é o meu maior elogio. A beleza assim, pura e grandiloqüente, é destinada às estátuas; elas não têm vida, são moldadas, planejadas e executadas e, por fim, não se alteram diante dos terrores e dos prazeres que dançam aos seus pés; a única mudança que aceitam é a destruição: um vândalo lhe martela o rosto, que se estilhaça pelo chão como lascas e restos, e não mais como estátua. Ela não iria querer isso de mim; sua beleza vai até o ponto de se permitir, sem se perder, pequenas mudanças cotidianas. Seu rosto cresce com o sono e com o choro, deforma-se lindamente num sorriso ou na carência. Sua beleza não se impõe como sombra, nem imobiliza a vida. Sua beleza evolui; dissolve-se, envolve e toma fluidamente todo o meu espaço.
(Mote: Virginia Woolf, Passeio ao Farol, e, de certo modo, uma reedição repensada)
(Mote: Virginia Woolf, Passeio ao Farol, e, de certo modo, uma reedição repensada)
terça-feira, 10 de abril de 2007
domingo, 8 de abril de 2007
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Reedição repensada: Verdade instântanea + "Cântico Negro"
"Cântico Negro
"Vem por aqui" -- dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
* Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
José Maria dos Reis Pereira (1901 - 1969 / Portugal)
"Vem por aqui" -- dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
* Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
José Maria dos Reis Pereira (1901 - 1969 / Portugal)
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
reedição retraduzida
her beauty
her beauty floats alone
fleeing from me and what i know
in the intangible space of the universe
her poised and serene beauty
free from the estuary and the sources
plays with the time being all and remote
the same beauty that flees from the concrete
becomes a black hole of the nothing
and shelters the flee of unfortunates
from there do not spout the humans’ words
but escapes the sound of the truth
as the original creation hum
her beauty floats alone
fleeing from me and what i know
in the intangible space of the universe
her poised and serene beauty
free from the estuary and the sources
plays with the time being all and remote
the same beauty that flees from the concrete
becomes a black hole of the nothing
and shelters the flee of unfortunates
from there do not spout the humans’ words
but escapes the sound of the truth
as the original creation hum
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