segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Outra conversa, agora sobre "pedaço de felicidade"

Leitora: Li o texto do rio manso. Parece que foi uma conclusão dos seus outros três textos, não? (o problema é que eu não li de novo os três textos). Mas oque vc quis dizer? Não tem mais rio manso, não tem mais o quê? Pedaço de felicidade? Isso só fica distante da gente? Ou é pq é a gente que cria isso, que a nossa cabeça faz com que tentemos alcançar a felicidade, apesar de ela não ser "palpável". Não sei, talvez eu tenha que ler de novo, pq posso não ter entendido bem. Mas se for isso, tb não sei se concordo totalmente... Sei lá, tenho que pensar mais...
j.p.cilli: o texto do rio manso, é claro, tem uma ligação com os outros. mas esse novo é diferente pq trata de outro modo do assunto, que também é tratado no livro do Campbell, sobre a impossibilidade de se viver somente a felicidade, que isso só seria possível num mundo sem tempo nem espaço, sem a dualidade de opostos, sem qualquer idéia sobre o bem e o mal, em que tudo há ao mesmo tempo que nada há, que sempre houve ao mesmo tempo que nunca houve. é algo, enfim, que não dá para explicar racionalmente porque está além da nossa capacidade de compreensão racional (afinal, nossa razão funciona com base em opostos) e que por isso tentei passar a idéia por meio do poema. então não adianta querer viver para sempre no "rio manso" (como metáfora de felicidade ou de qualquer outra coisa que tenha esse significado) pq lá não há o para sempre. não há felicidade eterna pq não há felicidade sem tristeza. então ela ignora que lá não há agora, que as coisas não funcionam assim. o rio corre manso, ele rola, entende? ele passa por pedaços de felicidade e por pedaços de tristeza. e ela quer só o pedaço de tristeza. mas o rio, apesar de manso, continuar rolando e vc está nele, num barco, e vai passando pelos pedaços. tem a relação também com o texto "pedacinho" e com o primeiro título do texto, entre [...]. daí tem muita coisa pra falar... (alguém???)

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