sábado, 30 de agosto de 2008
terça-feira, 19 de agosto de 2008
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
segunda-feira, 28 de julho de 2008
sábado, 19 de julho de 2008
sexta-feira, 18 de julho de 2008
quinta-feira, 17 de julho de 2008
sábado, 21 de junho de 2008
domingo, 18 de maio de 2008
sábado, 17 de maio de 2008
poesia
novidade
eu tenho um suspensório
quem tem um suspensório?
eu tenho um suspensório
comprei um suspensório e agora
tenho um suspensório.
eu tenho um suspensório
quem tem um suspensório?
eu tenho um suspensório
comprei um suspensório e agora
tenho um suspensório.
terça-feira, 13 de maio de 2008
segunda-feira, 5 de maio de 2008
sábado, 26 de abril de 2008
segunda-feira, 21 de abril de 2008
domingo, 20 de abril de 2008
sexta-feira, 4 de abril de 2008
#2
O que estou é velho. Cinquenta anos pelo São Pedro. Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra esta casca espessa e vem ferir cá dentro a sensibilidade embotada.
Cinquenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma pessoa a vida inteira sem saber para quê! Levantar-se cedo todas as manhãs e sair correndo, procurando comida! E depois guardar comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que estupidez! Que porcaria! Não é bom vir o diabo e levar tudo?
*.*
s. Paulo Honório - São Bernardo
Cinquenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma pessoa a vida inteira sem saber para quê! Levantar-se cedo todas as manhãs e sair correndo, procurando comida! E depois guardar comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que estupidez! Que porcaria! Não é bom vir o diabo e levar tudo?
*.*
s. Paulo Honório - São Bernardo
#1 (Matrix)
- A gente se acostuma com o que vê. E eu desde que me entendo, vejo eleitores e as urnas. Às vezes suprimem os eleitores e as urnas: bastam livros. Mas é bom um cidadão pensar que tem influência no governo, embora não tenha nenhuma. Lá na fazenda o trabalhador mais desgraçado está convencido de que, se deixar a peroba, o serviço emperra. Eu cultivo a ilusão. E todos se interessam.
*.*
s. Paulo Honório - São Bernardo
*.*
s. Paulo Honório - São Bernardo
terça-feira, 1 de abril de 2008
sábado, 29 de março de 2008
A _ _ _ _ _ _ Q _ _ _ _ _ T _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ A _ _ _ _
O que falta para São Paulo, já se disse, é também uma visão cinematográfica. Seria útil, nesse sentido, acostumar-se - coisa para qual ainda não tivemos tempo. Fones de ouvido, para a trilha sonora. Andar assim pela rua fica agradável, a opressão da desarmonia, o desperdício de espaço, viram notas - do que você quiser.
E você tem seus prédios preferidos? Quais são eles? Nos mostre a fachada, nos conte a história, quem é o arquiteto? Coloque uma marca no google earth. O que você faria diferente? E o que você faria igual em qual outro lugar?
segunda-feira, 24 de março de 2008
terça-feira, 18 de março de 2008
sábado, 15 de março de 2008
A lenda negra (sobre a questão espanhola)
Hernán Schengen Cortés
La leyenda negra española está de vuelta. Renacida. Resucitada. Parece inevitable: la propia definición que el diccionario de la Real Academia de la Lengua Española hace de ´leyenda negra´ (“opinión contra lo español difundida a partir del siglo XVI”) está diseminándose por el mundo. Después de los tétricos episodios en las salas de retenciones de Barajas y El Prat, la imagen de la España de la conquista se ha tatuado en la imaginación de los extranjeros, principalmente de los latino americanos. La España torpe, católico céntrica y brutal que Fray Bartolomé de la Casas retrató en Brevísima relación de la destrucción de las Indias, vuelve/renace: “Hacían unas orcas largas que juntasen casi los piés á la tierra, y de trece en trece, á honor y reverencia de nuestro Redentor y de los doce Apóstoles, poniéndoles leña y fuego los quemaban vivos”. Parece que de nada han servido años/décadas de buenas intenciones, progreso capitalista y presunta civilidad europeizada. Las insultantes palabras del historiador Philp Wayne Powell, recogidas en su libro Tree of Hate, están ganando argumentos a este lado del Atlántico: “Los españoles se han mostrado históricamente como excepcionalmente crueles, intolerantes, tiránicos, oscurantistas, fanáticos, avariciosos y traidores”. Y es que, aunque la leyenda negra fue encendida por los enemigos del Imperio que sufrían la competencia comercial/colonial o simplemente presión política, es difícil limpiar el oscurantismo tiránico de la historia de España.
Continua... (clicando aqui)
La leyenda negra española está de vuelta. Renacida. Resucitada. Parece inevitable: la propia definición que el diccionario de la Real Academia de la Lengua Española hace de ´leyenda negra´ (“opinión contra lo español difundida a partir del siglo XVI”) está diseminándose por el mundo. Después de los tétricos episodios en las salas de retenciones de Barajas y El Prat, la imagen de la España de la conquista se ha tatuado en la imaginación de los extranjeros, principalmente de los latino americanos. La España torpe, católico céntrica y brutal que Fray Bartolomé de la Casas retrató en Brevísima relación de la destrucción de las Indias, vuelve/renace: “Hacían unas orcas largas que juntasen casi los piés á la tierra, y de trece en trece, á honor y reverencia de nuestro Redentor y de los doce Apóstoles, poniéndoles leña y fuego los quemaban vivos”. Parece que de nada han servido años/décadas de buenas intenciones, progreso capitalista y presunta civilidad europeizada. Las insultantes palabras del historiador Philp Wayne Powell, recogidas en su libro Tree of Hate, están ganando argumentos a este lado del Atlántico: “Los españoles se han mostrado históricamente como excepcionalmente crueles, intolerantes, tiránicos, oscurantistas, fanáticos, avariciosos y traidores”. Y es que, aunque la leyenda negra fue encendida por los enemigos del Imperio que sufrían la competencia comercial/colonial o simplemente presión política, es difícil limpiar el oscurantismo tiránico de la historia de España.
Continua... (clicando aqui)
oQuê?:
FrutasdoQuonde,
QuemSabe:Copía,
Quotidiano
sexta-feira, 14 de março de 2008
sábado, 23 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
domingo, 10 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
R.II
"As coisas em geral não são tão fáceis de apreender e dizer como normalmente nos querem levar a acreditar;"
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
R.I
"Não há nada que toque menos uma obra de arte do que palavras de crítica: elas não passam de mal-entendidos mais ou menos afortunados."
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
sábado, 19 de janeiro de 2008
domingo, 13 de janeiro de 2008
Chegando... (já era hora)
*** seremos sempre uma família resistindo deixar o sertão castigado pela seca? ***
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
alternadamente
outro dia encontrei o andré em caracas. ele estava barbudo e ambos estávamos bêbados. conversamos um pouco, xingamos e elogiamos o chávez repetida e alternadamente e ele até me pediu um texto inédito. é este aqui, que saiu na nova edição do histórias possíveis.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
071215.V
O machismo, o feminismo, essa revolução já aconteceu e o legado é inescapável. A mulher e o homem se sabem serem iguais como sabem serem diferentes – embora o feminismo tenha sido assumido com atraso. E eles ainda não aprenderam a lidar com esse conhecimento. Pushing, pushing, saiu alguma coisa como a quântica. O trem está partindo.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
071215.IV
São Paulo pagou um preço por vencer o Rio de Janeiro. Esse tipo de coisa não sai de graça. Para ser melhor, São Paulo se abriu para o mundo e, pior, como voa um bom português: chorando. Rio queria ser Brasil. São Paulo teve que ser o mundo.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
071215.III
Em Hollywood, por exemplo, os que falam o que ninguém ouve, diziam que era curioso os que se achavam intelectuais não entenderem o que falavam. E, pior, entendiam; não se incomodavam.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
071215.II
A diferença é que o dinheiro era só aquilo com o que se comprava. Hoje tem seu próprio valor. Quer dizer, custar muito por si só é comprar um público consumidor.
domingo, 16 de dezembro de 2007
071215.I
Um dia vão estranhar o nome “pirâmide etária”. Ou vão estranhar mesmo a fotografia de uma pirâmide.
sábado, 15 de dezembro de 2007
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
sábado, 8 de dezembro de 2007
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
O anúncio
Quando L. leu o anúncio, L. sorriu. Procura-se casais que se amam. Retribui-se fartamente. A mente de L. não vacilou em associar a expectativa com a figura carinhosa de R. Relendo a pequena chamada, ligou para ele no celular, comentou o que havia lido e deixou a idéia de que poderiam participar. R. sorriu e depois ficou muito pensativo. L. ficou feliz e disse a uma amiga que andava nas nuvens. À noite, L. e R. se encontraram, e ele decidiu terminar o namoro.
domingo, 18 de novembro de 2007
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
domingo, 14 de outubro de 2007
WWW - Welcome to the Wireless World
O leitor não se lembra da época em que controles remotos eram remotos porque tinham fio?
Bem, mas já deu pro leitor perceber que essa limitação espacial está definitivamente out, não deu?
O departamento comercial do QSEDQ traz a invenção que levantou um patamar a wirelessness mundial: o narguilê sem fio.
Isso mesmo! Você fumando seu narguilê de qualquer canto da casa. Disponível nas versões basic, over there e total freedom, você poderá baforar seu perfumado fumo a até 10, 40 ou incríveis 200 metros da base do seu novo Narguilê Wireless QSEDQ®.
Entre em contato e faça parte do seleto grupo da total liberdade!
Bem, mas já deu pro leitor perceber que essa limitação espacial está definitivamente out, não deu?
O departamento comercial do QSEDQ traz a invenção que levantou um patamar a wirelessness mundial: o narguilê sem fio.
Isso mesmo! Você fumando seu narguilê de qualquer canto da casa. Disponível nas versões basic, over there e total freedom, você poderá baforar seu perfumado fumo a até 10, 40 ou incríveis 200 metros da base do seu novo Narguilê Wireless QSEDQ®.
Entre em contato e faça parte do seleto grupo da total liberdade!
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
As belas que nos perdoem
Tive um site numa época em que site pessoal ainda não era blog, era site pessoal. Nessa época, a gente usava o Geocities para hospedar as páginas que a gente escrevia no bloco de notas, com os códigos de html. Ainda se usava muito o windows 3.1 ou 3.11 para workgroups (creio que corresponde ao home e professional de hoje em dia), com o comando "win" no DOS para abrir o windows. Outro dia abri o DOS; com exceção do primeiro código que "aprendi" (na verdade foi um chute: digitando - com muito custo - aleatoriamente umas palavras no DOS de um daqueles 286, saiu um "cd", as iniciais do nome do meu pai, já que o computador era da empresa dele), não lembro nenhum comando mais. A gente criava arquivos executáveis (*.bat) também no bloco de notas. Usava o ARJ para compactar e tinha de decorar os atributos do comando. "Deltree *.*" era um palavrão. Quando surgiu a internet, modem era uma novidade excitante. O barulhinho que fazia (e que há tempo não ouço) era algo esperado - a gente nunca tinha certeza se iria conseguir se conectar. Arquivo MP3, quando surgiu pra ser tocado no Winamp, era um troço gigante. Para isso e para baixar outros arquivos grandes (acima de 1MB) havia um programinha cujo nome já não lembro, mas que tinha uma função essencial: se no meio de um download a conexão caísse (ou alguém da família quisesse usar o telefone, porque também não havia muito essa coisa de celular e muito menos banda larga), o programa reiniciava do mesmo ponto que havia parado. Esse foi o primeiro passo para podermos começar a baixar arquivos maiores. Email grátis, se não me engano, não eram tantos. Me lembro do Yahoo, do Hotmail, do Zipmail, do BOL. Pesquisa a gente fazia no Cadê?, onde os sites se registravam de acordo com categorias. Tinha também o Altavista, mas esse eu quase não usava; acho que veio depois, sei lá. Provedores eram poucos, pior pra mim que vivia numa cidade do interior. Mas tinha as intranets, onde eu primeiro vi essa coisa do bate papo. Porque aí vieram o ICQ e o bate-papo do UOL. O ICQ deve ter tido uma importância fundamental na minha vida porque ainda hoje me lembro meu número: 15105870. Esse, na verdade, foi o segundo, porque o primeiro se perdeu com alguma senha esquecida ou algum pau, que naquela época dava pau se algum f.d.p. enviasse algo como um bombardeio de mensagens ao mesmo tempo para você (e havia programinhas maldosos que faziam isso). Mas, bem, como eu ia dizendo, tive um site com um tio e uns amigos, que hoje provavelmente chamariam de blog. E hoje, tenho o que chamam de blog. Eu continuo chamando de site ou, ocasionalmente, ignorativo. Não sou um grande revoltoso com relação às expressões estrangeiras, mas blog (sim, blog é uma palavra estrangeira) é uma palavra muito feia. Blogue, blogar, blogueira/o. Muito feia. Tinha uma época, aliás, que os escritores simplesmente deixavam de usar uma palavra, ainda que portuguesa, porque era feia; mas isso foi coisa do Machado de Assis. A gente é moderno; o moderno é, tem que ser democrático; no moderno a feiúra tem seu espaço. A gente não perdoa o Vinicius: não há preferência, não há nada fundamental.
domingo, 30 de setembro de 2007
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
terça-feira, 25 de setembro de 2007
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
domingo, 16 de setembro de 2007
Arte genética
Os ensaios e manifestos de Kac, datados dos anos 80, primeiramente
mostram que ele está ciente de uma dívida. Sob a sua autoria,
as fórmulas extraídas de Lyotard e Barthes (“gramática libidinal"
ou o termo pornograma, que designa uma “fusão do corpo e
do discurso" [8], por exemplo) incorporam sua prática a um movimento
global que, nos anos 70, sonhara em rejeitar todas as formas
de censura para transformar a expressão lingüística das pulsões em
marca de um discurso atribuível ao corpo, antes de reconhecer as
aporias de tal projeto. Por sua vez, os holopoemas posteriores de
Kac imitam certos comportamentos dos seres vivos, notadamente o
movimento. Entretanto, a sua incorporação ainda permanece inviável,
de modo que a declaração de Jean-Luc Nancy continua plenamente
válida. O mesmo não ocorre com as obras às quais, desde
1998, Kac se refere como “arte transgênica". Entre elas, Genesis
(1999) constitui a um só tempo uma culminação e um caso limite
para o “programa" mencionado por Nancy, à medida que a natureza
corporal do texto deixa de ser metafórica. Para esta obra, que
é simultaneamente trabalho de escrita, criação visual e intervenção
biológica, o artista escolheu o versículo bíblico no qual Deus estabelece
a supremacia do homem sobre o reino dos seres vivos,
dizendo ao casal original: “Tenham poder sobre os peixes do mar,
sobre as aves que voam no ar e sobre os animais que se arrastam
pelo chão" (Gênesis, 1:28). Kac transpôs estas palavras em Morse,
cujos sinais então substituiu pelos diferentes nucleotídeos que constituem
o DNA até obter um gene artificial, não-funcional, mas
passível de ser integrado tecnicamente à herança de um ser vivo.
Não contente em produzir, desta forma, uma série de versões equivalentes
de um mesmo texto, ele sintetizou e – por meio da intervenção
de um procedimento viral – inseriu a fórmula molecular no
genoma de uma bactéria. Esta foi então cultivada em condições
favoráveis ao surgimento de mutações, tão bem que no curso de
algumas gerações a estrutura correspondente à fórmula genética
começou a apresentar variações em certos indivíduos. Estes, na
transcrição inversa, apresentaram modificações na seqüência textual
original, resultando em algo como: “Teenham poder sobre os
peixes do mar, sobre as aves que voam no ar e sobre os animais
que se aerastam pa cl chão." A palavra divina sobre a criação tornou-
se assim objeto de uma encarnação que repete o fiat: Kac
inscreveu a frase no interior de um organismo primário, unicelular,
para poder generalizá-la à semelhança do ser vivo. Desta vez, um
verbo serviu para bem (re)fazer a carne. O corpo revelou-se como
lugar de uma escrição, onde não se trata mais simplesmente de tatuar,
escarificar nem mesmo gravar as entranhas dos signos simbólicos.
A carne deixa de ser suporte para ser a própria matéria da escrita.
Do aqui já famoso Suplemento...
mostram que ele está ciente de uma dívida. Sob a sua autoria,
as fórmulas extraídas de Lyotard e Barthes (“gramática libidinal"
ou o termo pornograma, que designa uma “fusão do corpo e
do discurso" [8], por exemplo) incorporam sua prática a um movimento
global que, nos anos 70, sonhara em rejeitar todas as formas
de censura para transformar a expressão lingüística das pulsões em
marca de um discurso atribuível ao corpo, antes de reconhecer as
aporias de tal projeto. Por sua vez, os holopoemas posteriores de
Kac imitam certos comportamentos dos seres vivos, notadamente o
movimento. Entretanto, a sua incorporação ainda permanece inviável,
de modo que a declaração de Jean-Luc Nancy continua plenamente
válida. O mesmo não ocorre com as obras às quais, desde
1998, Kac se refere como “arte transgênica". Entre elas, Genesis
(1999) constitui a um só tempo uma culminação e um caso limite
para o “programa" mencionado por Nancy, à medida que a natureza
corporal do texto deixa de ser metafórica. Para esta obra, que
é simultaneamente trabalho de escrita, criação visual e intervenção
biológica, o artista escolheu o versículo bíblico no qual Deus estabelece
a supremacia do homem sobre o reino dos seres vivos,
dizendo ao casal original: “Tenham poder sobre os peixes do mar,
sobre as aves que voam no ar e sobre os animais que se arrastam
pelo chão" (Gênesis, 1:28). Kac transpôs estas palavras em Morse,
cujos sinais então substituiu pelos diferentes nucleotídeos que constituem
o DNA até obter um gene artificial, não-funcional, mas
passível de ser integrado tecnicamente à herança de um ser vivo.
Não contente em produzir, desta forma, uma série de versões equivalentes
de um mesmo texto, ele sintetizou e – por meio da intervenção
de um procedimento viral – inseriu a fórmula molecular no
genoma de uma bactéria. Esta foi então cultivada em condições
favoráveis ao surgimento de mutações, tão bem que no curso de
algumas gerações a estrutura correspondente à fórmula genética
começou a apresentar variações em certos indivíduos. Estes, na
transcrição inversa, apresentaram modificações na seqüência textual
original, resultando em algo como: “Teenham poder sobre os
peixes do mar, sobre as aves que voam no ar e sobre os animais
que se aerastam pa cl chão." A palavra divina sobre a criação tornou-
se assim objeto de uma encarnação que repete o fiat: Kac
inscreveu a frase no interior de um organismo primário, unicelular,
para poder generalizá-la à semelhança do ser vivo. Desta vez, um
verbo serviu para bem (re)fazer a carne. O corpo revelou-se como
lugar de uma escrição, onde não se trata mais simplesmente de tatuar,
escarificar nem mesmo gravar as entranhas dos signos simbólicos.
A carne deixa de ser suporte para ser a própria matéria da escrita.
Do aqui já famoso Suplemento...
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
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