sexta-feira, 31 de agosto de 2007

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Cortisimo

Li que o amor é ilógico. Por isso me apaixonei por ele: o marido da minha amiga.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Exposição ENCARA - Uma Reedição Repensada


Nesta sexta-feira (31.8) vai começar uma reedição da "ENCARA", exposição de fotos minhas e da Carol Volpe originalmente ocorrida no Museu de Artes Plásticas Quirino da Silva, em Mococa (foi, aliás e infelizmente, a última do espaço...).


A Carol estará na FAFEM (Faculdades da Fundação de Ensino de Mococa) montando as fotos e os textos - é reedição repensada porque desta vez vai sem os "elementos plásticos" que acompanhavam as fotos nos originais.


É isso, pode continuar.

Da Lucidez da Arquitetura

:: Da Lucidez da Arquitetura ::

Antológica, pra se ter sempre à mão e reler, reler... A entrevista do arquiteto Paulo Mendes da Rocha a Ana Paula Souza na
CartaCapital é de uma lucidez e de uma sabedoria sem tamanho, mesmo que um tanto dolorosa -- infelizmente, a entrevista não está disponível na íntegra no site. Pincei algumas frases:
Uma cidade degenerada


O arquiteto Paulo Mendes da Rocha ergue e destrói a paisagem urbana
*A rigor, devíamos [arquitetos e urbanistas] ser mais ouvidos no plano político, nas questões de desenvolvimento das cidades. É uma pena que haja uma tendência de a arquitetura se tornar banal. Isso é decorrência da vertigem mercantilista do nosso tempo.*


*Falamos em água, ar, mas o que pode acabar antes somos nós mesmos.*

*A arquitetura constrói espaços para amparar a imprevisibilidade da vida, não para determinar comportamentos. A cidade é o lugar da liberdade.*

*O mercado é um horizonte falso e, se ficar no comando do processo, só produzirá asneiras como a dos neoclássicos.*

*A classe média alta é a mais baixa da população.*

*Como revitalizar o centro histórico? Transformando botequim em centro cultural? O botequim era um centro cultural.*

*A cidade é o lugar da reprodução do conhecimento na fala diária dos homens que precisam conviver.*

*A classe média não quer frequentar a liberdade.*

*[...] é essa consciência do próprio desastre que forma estados patológicos como o pânico. São pessoas que já não respeitam o outro, estão num estado de delírio.*

*A cidade é, por excelência, o lugar do discurso do homem, o lugar onde as coisas continuam, como experiência e como vida.*

Por
Paulo Bicarato, às 15:17 de 16.08.2007 - Categoria: Pensatas

terça-feira, 28 de agosto de 2007

E por falar nisso...



Pra quem vai ficar em São Paulo no feriado da Independencia ("??" - para não deixar passar os parênteses políticos...), uma boa é o show de lançamento do novo CD do Ivan no Auditorio do Ibirapuera. Vale pelo violeiro, vale pelo repertorio, vale pelo local.


O nome Dez Cordas origina-se de uma técnica desenvolvida por Ivan onde as cordas são tocadas separadamente em cada par (a viola freqüentemente tem cinco pares de cordas), resultando em uma sonoridade inusitada.

Constelações caleidoscópicas - O Filme




Música do Ivan Vilela.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

O suicídio


Quando ele chegou, uma semana depois que eu, éramos colegas de dormitório. No quartel da 3ª de aviação cada quarto comportava dois oficiais. Na noite que ele recebeu um email da namorada entramos no terreno das conversas profundas. Cinco meses mais tarde coincidiu de ser marcada minha folga com sua prática de voo. Levei a câmera que ele me emprestou para a região desertica ao norte; ele decolou. Voando baixo, ficou se exibindo para mim, como um cavalo girando em volta do treinador. As montanhas chegavam a estar mais altas que ele. Numa delas, ele se transformou numa nuvem. Meu vídeo era seu bilhete.

Spam bizarro

Dear Friend,

I am Hubert Mulumba, a former personal assistant of President Joseph Kabila of the Congo Democratic Republic. Before I proceed further, let me make this point clear to you, I am not contacting you to waste your time and I will not want you to waste mine. Please, if you are dealing with me, give this transaction the absolute attention needed.

I was the Chief Officer in charge of arms and ammunition. Some months ago I was assigned to make payment for arms and ammunition worth $35.5 Million in France, on getting to London, I heard over the newsthat United Nation had given an ultimatum to our president and his former vice president and rebel leader Jean-Pierre Bemba to call for an immediate cease fire. I was then directed by the president to depositthe money with a security company in Durban and return back to Kinshasa. Due to power tussle I was sacked and wrongly detained in an underground prison for months. I was recently released and I managed to escape to West Africa.

I am presently seeking political asylum in a West African Sate and my present status does not allow me to move out of my present jurisdiction. Through a contact I was able to move the money out of the initial deposited company vault in Durban to Europe. Since my fallingout with President Kabila he had made spirited effort to move the money to another security company but could not, since the deposit was made in my name. Please I need your help to claim this money since my present situation cannot allow me to do that.

Upon the receipt of this letter, kindly reply me through my alternative email h_mulumba@yahoo.fr signifying your decision including your fullname, address, occupation, age and private phone numbers for quick communication.

Best Regards,

Hubert Mulumba

Constelação doméstica e aquática



sexta-feira, 24 de agosto de 2007

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

terça-feira, 21 de agosto de 2007

CLB

Outro dia começou a Copa de Literatura Brasileira.

Pronto, pode continuar.

Dean

Gostaríamos de desejar boa sorte aos nossos parcos leitores mexicanos.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Que gosto do que?

Eu gosto das concepções invertidas; é uma característica minha. Gosto da ideia de que a vida é o desfazer da morte, por exemplo. Como num texto de um Wesley, sujeito escritor da turma de outro sujeito escritor chamado André, o do link ao lado. Embora eu seja avesso às turmas literarias, com manifestos (aqui ou aqui, tanto faz, pelo menos) para dizer que são contra manifestos. Eu sou assim, mas isso não nos impede outras quem-sabe infinitas semelhanças de ideias; eu acho. Gosto de um defunto narrando sua vida. Gosto da ideia de uma narração cujo personagem parece ser homem durante toda a historia, até que no fim a gente descubra que sempre foi uma mulher (a não ser que não ocorra o fim dessa historia, como aqui ). Gosto de um livro que fale sobre um livro, que acabam concomitantemente. Sim, por isso tudo eu gosto da semelhança de concepções. Viu?





PS. Na mostra de tecnologia que está na FIESP (FILÉ 2007) tem muito disso, que pode se entender como arte metalinguística - ou metanarrativas, como ouvi daquele mesmo André numa troca de emails.

Roofing-saucer



quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Minha Arte Pessoal - II

(...)

Seria, portanto e concomitantemente, uma "arte" única para cada interpretador. Seria uma "arte" propositalmente indefinida; ou seja, a indefinição transbordaria a subjetividade da interpretação e se estenderia ao próprio conceito "daquilo". Ninguém poderia impor sua conceituação ao outro, nem tampouco se eximir de conceituá-la (nem que tal conceito seja o de não-arte ou mesmo de não-conceito).

Qual seria o próximo passo? Claro. Buscar algo no Google. Busquei, para dar maior abrangência, um termo em inglês: personal art. Encontrei um site holandês que faz quadros com a imagem do cliente, mas com um estilo particular. Tem Warhol, Lichtenstein, Lounge, Photoipod (você como uma sombra e seu iPod destacado), Black&White e Propaganda (que inclui até poster de propaganda comunista com a sua imagem).

Arte Pop?

Encontrei também o site de uma artista brasileira que faz "noivinhos, personagens, potes, portas celulares personalizados, porta fotos personalizados e muito mais", além de achar a arte "uma delícia!!!"

Arte popular brasileira?

Ainda na primeira página dos resultados do Google, cliquei num site francês. Mas como não sei francês, não sei do que se trata esse exemplar do termo que escolhi.

?

É verdade que não passei da primeira página (onde tentei ver ainda este, este e este ), mas não encontrei nada que se aproximasse do que eu queria expressar com "arte pessoal". Incluindo a busca em português, a maioria parecia dizer algo como "minha arte". Portfolio.

Um resultado, no entanto, me interessou. Era um PDF denominado "Arte e beleza: diferentes formulações foucaultianas sobre a estética da existência", que dizia algo bem parecido com aquele Rilke: sobre fazer da vida uma obra de arte. Não vou me aprofundar no que o artigo falava (para isso, vá o leitor clicar no link). Não era exatamente o que eu procurava; forçando, uma fonte inspiradora, teórica, da minha definição.

Mas, então, escrevendo este texto, pensei: se a definição é pessoal, por que eu estou procurando alguma de alguém? Se é pessoal, a origininalidade perde sentido - não importa.

E agora, terminando o texto, eu penso: para quê estou escrevendo tudo isso? Sei lá, é meu manifesto; o manifesto da minha arte pessoal, que só está público para delimitar bem as coisas.


É assim que tudo começou.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Minha Arte Pessoal - I

Andei pensando na utilidade que sempre quis dar às várias coisas que ajunto por aí. Comprovantes de todos os tipos de compras são um dos mais antigos itens colecionados. Comprovantes de cartão de crédito e débito, de pedágio, de estacionamento, de cinema, museu, etc, e de todas as viagens que faço - ao menos para fora do Brasil. Está tudo em caixas e envelopes. Há bastante tempo. Mas mais antigas são as moedas de um centavo. Na última contagem, há mais de 7 anos, eram 200 (ou seja, 2 reais). Depois acho que veio o pó-de-incenso. Isso mesmo, juntei durante muito tempo aquele pó que resta do incenso queimado (o que já disse ser até as cinzas do meu avô...). Têm também os potinhos de plástico onde vêm os filmes fotográficos e, mais tarde, os próprios "casulos" (palavra usada em algumas fotóticas para denominar a própria bobina do filme, muitas vezes reutilizadas nos chamados filmes rebobinados - agora, imagina pedir isso para um laboratório perdido num beco de Istambul...). As rolhas de vinhos. Os cartões de visita. Os outros tipos de cartões (geralmente vencidos, como os dos clubes aos quais não sou mais associado, ou os vazios, no caso dos telefônicos). Os mapas. Aqueles cartões publicitários da Johnnie Walker com frases de efeito, sempre destacando a palavra de maior efeito. As bolachas de chope. Etc.

Um dia, então, tive uma ideia para os comprovantes: colá-los num compensado de madeira (de 1m por 1,6m) que eu tinha em casa e fazer alguma composição com tinta; a tela se chamaria "fuga". Tempos depois, seguindo esse rastro, vieram ideias para os outros ajuntados. Quadros em que eu os colaria com um título que sugerisse alguma reflexão. Assim, os cartões de visita seriam algo do tipo "sociedade" ou "círculo de amigos". Ou até uma combinação de coisas, devidamente dividas de acordo com uma lógica, chamada "ego". Poderiam ser também somente quadros "decorativos", sem título nenhum (e um tanto bregas, um retrô meio anos 80 - a pior década do século passado no quesito bom gosto)(até porque as décadas atual e passada foram tão confusas, receberam tantos adjetivos, que não podemos identificar um gosto para podermos classificá-las).

Mas, daí pensei, estaria eu produzindo "arte"? Bem, como diz o Rilke, nas suas Cartas a um jovem poeta, a arte depende muito mais do artista do que do espectador. Quero dizer, somente eu poderia me responder.

Por um lado, não eram objetos que eu produziria para expor, vender ou mesmo presentear. Seriam visões pessoais do que foi a minha vida. Um tipo plástico de "Em busca do tempo perdido"? Não sei, ainda não li o clássico.

Ou da fase final, autobiográfica do Graciliano Ramos? Também não sei.



Duchamp?

Então comecei a denominar isso de "arte pessoal". Ou seja, seria uma arte voltada somente ao artista e, no máximo, a quem teve uma convivência considerável com ele. A própria definição seria, afinal, pessoal: aquele mesmo objeto seria definido de forma diferente por um eventual espectador deslocado daquela realidade retratada e interpretada.



(... a continuar ...)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Apocalipse Now!

Eu tenho minha teoria do Apocalipse e acho que todo mundo deveria ter a sua. Acho isso porque, na minha teoria, todos nós provavelmente estaremos vivos quando ele acontecer; na verdade, é mais grave: todos estamos colaborando com ele - que já está acontecendo há algum tempo.
Outro dia eu li uma reportagem sobre um sujeito já velho no mundo da Internet (ou seja, com seus 30 e poucos, 40 anos), que participou ativamente lá do começo do primeiro boom e que ainda está por aí. Ele falava mal da tal web 2.0. O que é isso? É isto; são os blogs, a Wikipedia e tudo isso que conta com a participação de todo mundo (teoricamente). Ele dizia que essa característica ilusoriamente democrática é, na verdade, uma patifaria. Que o mainstream, justamente por ser grande e limitado, por ser conhecido e tradicional, também é previsível: a gente sabe qual revista dá uma ajudazinha ao governo, sabe que aquela outra faz capas para vender e etc. Já com a internet, ou melhor, com a web 2.0, não se sabe quem faz a notícia. Vocês, por exemplo, que não me conhecem; imaginem que este blog não fosse este blog, fosse sobre política e nós fizéssemos um trabalho sério - só que voltado para alguma determinada corrente partidária (sutilmente, claro). Para o tal, esse é o perigo, a patifaria.
(Para outro, um cientista meio louco que implantou um chip no corpo para poder acender e apagar a luz com o movimento da mão (e que apareceu no Fantástico), a internet já é a máquina incontrolável que a ficção científica previa: segundo ele, na prática, não se poder mais pará-la.) Mas este parágrafo foi só um parêntese.
Bem, o que tudo isso tem a ver com a minha teoria do Apocalipse - já chego lá.
Andou muito na "pauta" de todos os noticiários (da internet ou não) a prisão do colombiano de apelido muito engraçado para um traficante internacional perigosíssimo: o Chupeta. Fosse Capeta ou mesmo Vampeta, tudo bem, mas Chupeta? Enfim. Eles estão avançados, muito mais do que eram na década de 80 (é o que esses noticiários fazem questão de frisar, sempre citando o cinematográfico Pablito Escobar). Agora, esse avanço todo (até submarino para levar droga para os EUA eles usam) tem lá seu custo. A lógica, para mim, funciona mais ou menos assim: eles cometem um crime; a polícia vai atrás; eles criam formas para não serem pegos; a polícia cria formas para pegá-los, e etc. No mundo econômico o raciocínio vira: dinheiro para fugir, dinheiro para pegar. Ou seja: os usuários pagam para os traficantes (aqueles que lhes possibilitam o uso) poderem continuar sua nobre função e os cidadãos (usuários e não-usuários) pagam para a polícia impedir que os traficantes sigam traficando. (Vamos deixar de lado os outros custos pagos pelos cidadãos, ok?).
Enfim, a pergunta inevitável: onde é que tudo isso vai dar?
E, mais, quêque o cu tem a ver com as calças?
Primeiro, para onde estamos indo, e em todos os casos aqui citados. Ora, tudo isso levará a uma coisa: a elitização. Traduzindo: quem tem mais dinheiro terá acesso a informações mais ou menos confiáveis (ou ao menos de uma confiabilidade previsível) e às drogas, caso se interesse por ambas. E claro que se interessam, afinal, o que move este nosso planeta repleto de seres humanos? Drogas e informações. Daí chegamos ao Apocalipse.
É que, como já deu para perceber, estamos no meio de um processo de desigualdade social cujo objetivo é gerar sempre um pouco mais de desigualdade (indiretamente, ao menos, se o objetivo, na verdade, é só dar mais dinheiro aos que já têm o tal). Como tudo está avançando muito rápido, naturalmente o fim também chegará mais rápido. Brasil, Índia, China estarão muito mais divididos do que estão hoje. Serão bilhões de pessoas privadas de informações e drogas (as ilícitas, pelo menos).
Se a economia dos EUA já está cambaleando e já se diz que esta crise atual representa um marco na divisão do poder americano com outros países, isso só fortalece essas bilhões de pessoas.
Agora, o que será o meu Apocalipse? Aí eu não sei, já fui longe demais para chegar até o fim... até defender os americanos eu já defendi. Mas me deixem ir um pouquinho mais.
A nossa querida Bíblia, se não me engano, diz que no fim Deus ficará com os bons e arrependidos e chutará os pecadores imperdoáveis para o inferno. Então, quer dizer, será, que o DINHEIRO é o tal Deus?
Agora entendi tudo, porque o Marx era ateu. Entendi.

domingo, 12 de agosto de 2007

Divergência

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foto: Julia

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

The City We Live - Anyday Sunset


The City We Live - Yesterday's Sunset


QuoMércio - Bolhinhas Anti-Estresse QSEDQ®

Não se estresse mais no trânsito! Não destrua suas unhas! Pare de ficar buzinando, xingando e perdendo preciosos anos de vida! Chegou o mais novo produto reciclado do QSEDQ: As bolhinhas anti-estresse! Por apenas 1 real por metro você garantirá sua tranquilidade nas horas do rush descontando todo seu nervosismo nas bolhinhas. É fácil, barato e sem efeitos colaterais.


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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

ATENÇÃO - PódiArroz Nº 0

É com muita ignorância que apresentamos a edição número zero do video-podcast do QSEDQ: o PódiArroz!

E nesta edição falamos sobre:

- O que fazer quando não se está trabalhando? (00:00)
- "Terra Estrangeira" (Walter Salles) (00:50)
- O "Minhocão" (03:31)
- Silêncio (com fundo musical de Caetano Veloso) (04:47)
- Voltando a "Terra Estrangeira" (05:12)
- Brasileiros lá fora (05:53)
- Fim (06:22)

Só isso.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Exceções QLDM II

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foto: Julia

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Chave, portão e pasto.

Era o fim da tarde e eu estava saindo de casa para comer uma mexerica no quintal. E por ser uma tarde de inverno, no meu quintal rodeado pelas montanhas do vale do sul não batia sol. Na pequena faixa de concreto no piso da frente da casa é onde batia o tal do sol de fim de uma tarde de inverno. Meus olhos se recolheram no vão entre as casas e muros onde se projetavam o restante da vargem e as colinas do oeste, tudo já naquela escuridão ofuscante, para depois se dirigirem à brilhante mexerica laranja nas minhas mãos. Não havia sentido não dar uma volta pelo menos até o pasto dos fins da rua – uma caminhada de cinquenta metros de ida. O frio me levava ao sol; a própria logística do se comer uma mexerica!: adubaria a natureza com a casca e o bagaço (é que ultimamente não tenho comido o bagaço), além das sementes que poderiam germinar uma nova árvore – frutífera! – naquele pasto. Para tanto eu deveria voltar para casa e pegar a chave do portão; eu estava disposto a fazer isso mas não estava disposto a esperar para comer despretensiosamente minha única mexerica. Assim, adubei primeiro meu quintal, enquanto voltava já com a chave na mão. Naturalmente abri o cadeado (com todo procedimento regular), forcei um pouco mais que de costume o ferrolho sempre emperrado (mais – porque não costumo chegar ou sair e casa com mexericas na mão) e ganhei a rua e o sol livre esquecendo – propositadamente, embora desconhecesse meus propósitos com aquilo – o portão de grade aberto; é que, na verdade, tudo na frente era uma grade (e naquele momento) (uma frente que ficava para trás)(na sombra)(minha). Ainda na rua, antes de chegar ao pasto, despejei minha sobra orgânica (que de outro modo seria lixo) no meio-fio e parei um pouco passado de dois pedreiros que construíam uma casa num terreno onde todos os muros com exceção do frontal já haviam sido construídos – pelo mesmo “mestre”, como fui saber adiante. Dali para frente começava o pasto a margear a rua pelos dois lados, o sol me atingia na posição de duas horas, bem em cheio na mão que transportava os gomos da outra à boca e o meu resto orgânico para a direção decidida (e não vou entrar no mérito dessa decisão). Virei para esse lado uma meia volta e iniciei uma conversa com o pedreiro que trabalhava o cimento num canto da rua. Conversamos sobre o dono da casa e sua família, depois falamos sobre o que cada um fazia da vida, e por fim sobre a própria vida: a importância do dinheiro, as escolhas que a compõem. Essa conversa, claro, durou mais que o tempo de comer uma mexerica, durou até acontecer d’ele comentar que estava com pressa porque ainda tinha que pegar a filha na escola e eu, que antes desse comentário havia dito algo sobre a segurança que tive ao viver naquele rua, observar meu portão aberto e me despedir prometendo recomendá-lo a um pequeno empreiteiro conhecido meu. Caminhei de volta, já sem nada para dificultar a abertura do portão por estar ocupando minha mão (embora, sim, o portão já estivesse aberto), já sem ofuscar meus olhos que miram minha sombra, as mãos fechando o portão, o sol poente intercalado pelas sombras verticais da grade e minha própria sombra se unindo à sombra da casa.

terça-feira, 31 de julho de 2007

a platéia

segunda-feira, 30 de julho de 2007

A serendipidade literária

Qual o critério para se optar por algum livro? No meu caso, grande parte das leituras não segue uma ordem pré-estabelecida: decido ler determinado livro por uma razão diferente da que me levou aos anteriores. Não sei se o mesmo acontece com todos os leitores, mas comigo, a despeito dessa aleatoriedade, por algum caminho inconsciente os livros acabam sempre se relacionando. Três deles, lidos em seguida, dão um exemplo disso.



***


“Os Cus de Judas”, livro do premiado António Lobo Antunes, trata da experiência do personagem-narrador na guerra de Angola. Uma matéria na revista “Língua Portuguesa” (link para assinantes UOL ou da revista) me despertou o interesse na história, ao defini-la como um “anti-épico”. Ou seja, o narrador, um médico português servindo na África, se põe implicitamente como um antagonista do velho Camões. A guerra o faz enxergar (e narrar) as coisas patéticas intrincadas no dia-a-dia e no passado do português; a arquitetura, os hábitos, os anseios: todos os ingredientes que formam o sentimento de sociedade lhe surgem como premissas de reflexão. E tudo isso, se por um lado vai lhe despertar a nostalgia do sossego provinciano de Lisboa diante da confusão e violência da campanha africana, por outro o fere e incomoda; se une ao absurdo da guerra como uma mancha no seu sangue lusitano. Lobo Antunes, portanto, transpõe o conflito angolano para outras dimensões: em primeiro lugar, para as atitudes do país ao qual pertence, ratificada por seus cidadãos (afinal, Salazar venceu como o maior português da história... ); em segundo, a própria luta individual gerada pelos sentimentos nacionalistas e saudosistas contra as decepções e as incapacidades que lhe vão sendo estampadas pela vida conforme se constrói a inevitável solidão (caindo num estilo Campos de Carvalho, como no trecho abaixo). Se, como o médico convocado, deixa o país para ir à distante África e retorna depois de muito tempo, seus sentimentos também realizam o mesmo movimento. Deixam o âmbito familiar acolhedor, quase sufocante, para cair no imenso vazio de Angola e se deparar com a morte, o sofrimento e relações humanas paradoxalmente superficiais. De volta à Portugal, vive sozinho, tendo relações igualmente superficiais com mulheres transitórias; quer a família, aquela de hábitos tão conservadores e ridículos. Espera ela de volta como quem deseja reencontrar a velha pátria imaginada, o antigo casamento feliz, tudo o que foi desmascarado pela realidade de um conflito.


***


Depois, li “Os Sertões” (“A Luta”), do Euclides da Cunha, cujas apresentações seriam dispensáveis. Só li agora pois, ao estudar um pouco da literatura brasileira num desses volumes didáticos, me deparei com um trecho tocante descrevendo a suposta rendição dos sertanejos na tal guerra de Canudos (ver trecho abaixo). O que posso dizer? Vale o adjetivo de monumento. O livro fala da campanha republicana contra a “cidadela” do Conselheiro, por ele chamada de “Belo Monte”, com o rigor de um jornalista com experiência na carreira militar. E a sensibilidade de um escritor. Ao mesmo tempo em que descreve e analisa com precisão técnica os movimentos (errados na maioria) do exército brasileiro e a geografia do “palco de ação”, não deixa de lado os diálogos travados nas linhas de combate, os sentimentos dos homens diante das diversas situações apresentadas pela batalha e o imenso disparate que era aquilo tudo. A narração não busca filosofias; o autor não deseja transformá-la na sua visão pessoal do acontecimento. Como esclarece na introdução, quer ser o narrador sincero da História, denunciando ao mundo o crime que ali se cometera. Até onde isso for possível, parece alcançar seu objetivo. É espantoso como consegue manter austeridade enquanto disserta, por exemplo, sobre “a psicologia do soldado”: busca todos os detalhes possíveis para que o leitor tenha a mais completa idéia do que ocorreu. Está certo de que os fatos por si só são suficientes para deixar indubitável a insensatez de se combater o fanatismo do sertanejo, miserável que é, trucidando milhares deles em nome do fanatismo à recém criada República. Euclides parece dizer ao leitor de hoje que há muito tempo o Brasil trata o erro dos desamparados com o erro dos “doutores”: não inclui, combate; derruba e não os ajuda a levantar.


***


Em seguida, “A Cavalaria Vermelha”, do russo Isaac Babel, reunindo contos baseados na época em que o autor lutou a campanha russo-polonesa de 1920. O título, com a nova tradução publicada recentemente pela Cosacnaif na coleção “Prosas do Mundo”, diretamente do russo para o português, virou “O Exército Vermelho”; a minha pobre versão ensebada tem lá suas origens no final da década de 1960, publicada pela editora Civilização Brasileira. Encontrei-a num sebo em São Paulo depois de sofrer uma tragicômica chuva de livros ao tentar tirar, de uma pilha enorme e mal equilibrada, um título do Garcia Márquez. Naquele monte esparramado no chão, lá estava. O preço me resignou em não ter a nova tradução, por ora. Sobre ele? Há muito lugar comum ao falar sobre o livro e eu não vou fugir deles aqui. O que mais espanta é a capacidade do autor em narrar a luta – travada, o que é pior, entre os sanguinários cossacos – com um estilo naturalmente lírico. A morte se iguala ao aparecer de uma estrela no céu. Os piores momentos são campos de trigo e cevada iluminados pela aurora. Parece que, no fundo, Babel faz da guerra um simbolismo qualquer. Ele, um jovem judeu intelectual em busca das provações capazes de transformá-lo em adulto, só deseja ser capaz de matar um homem. É como um adolescente virgem em busca da sua primeira vez, uma menina atrás de seu príncipe encantado, a dona-de-casa diante do bolo queimado no forno. O perigo real da morte vem por meio de uma narrativa cômica, atributo inevitável diante da mistura entre morte, violência, lirismo e humor (como no trecho abaixo).


***


Todos os três, portanto, falam explicitamente da guerra. Talvez eu devesse me alistar, se ainda é tempo, mas não creio seja esse o caso. Por sobre as profundezas do meu inconsciente, garanto, é tudo uma coincidência. Coincidem, aliás, num ponto interessante: extraem do non-sense da guerra o burlesco. Em geral, sentem alguma necessidade de atenuar o horror com o humor (perdão pela rima), muitas vezes entrincheirado, camuflado, um humor soldado disparando contra seus leitores.


***



TRECHOS


“Os Cus de Judas”, p. 148-149:
“(...) Não, a sério, a felicidade, esse estado difuso resultante da impossível convergência de paralelas de uma digestão sem azia com o egoísmo satisfeito e sem remorsos, continua a parecer-me, a mim, que pertenço à dolorosa classe dos inquietos tristes, eternamente à espera de uma explosão ou de um milagre, qualquer coisa de tão abstracto e estranho como a inocência, a justiça, a honra, conceitos grandiloquentes, profundos e afinal vazios que a família, a escola, a catequese e o Estado me haviam solenemente impingido para melhor me domarem, para extinguirem, se assim me posso exprimir, no ovo, os meus desejos de protesto e de revolta. O que os outros exigem de nós, entende, é que os não ponhamos em causa, não sacudamos as suas vidas miniaturas calafetadas contra o desespero e a esperança, não quebremos os seus aquários de peixes surdos a flutuarem na água limosa do dia-a-dia, aclarada de viés pela lâmpada sonolenta do que chamamos virtude e que consiste apenas, se observada de perto, na ausência morna de ambições.
“Quer um uísque? (...)”



“Os Sertões”, p. 263 (versão eletrônica baixada da Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro):
“(...) Uma megera assustadora, bruxa rebarbativa e magra – a velha mais hedionda talvez destes sertões – a única que alevantava a cabeça espalhando sobre os espectadores, como faúlhas, olhares ameaçadores; e nervosa e agitante, ágil apesar da idade, tendo sobre as espáduas de todo despidas, emaranhados, os cabelos brancos e cheios de terra – rompia, em andar sacudido, pelos grupos miserandos, atraindo a atenção geral. Tinha nos braços finos uma menina, neta, bisneta, tataraneta talvez. E essa criança horrorizava. A sua face esquerda fora arrancada, havia tempos, por um estilhaço de granada; de sorte que os ossos dos maxilares se destacavam alvíssimos, entre os bordos vermelhos da ferida já cicatrizada... A face direita sorria. E era apavorante aquele riso incompleto e dolorosíssimo aformoseando uma face e extinguindo-se repentinamente na outra, no vácuo de um gilvaz.
“Aquela velha carregava a criação mais monstruosa da campanha. Lá se foi com o seu andar agitante, de atáxica, seguindo a extensa fila de infelizes... (...)”



“A Cavalaria Vermelha”, p. 76:
“(...) O Cavalo do chefão era mesmo uma beleza, mas parecia estafado. Então o Pan general alveja-me com a sua Mauser e faz um buraco em minha perna.
“- Está bem – pensei – vou fazê-lo espernear aqui mesmo.
“Assim, trato de agir e cravo duas balas no cavalinho. Tive pena do garanhão. Era um pequeno bolchevista, aquele garanhão, castanho, luzente como uma moeda de cobre, com uma bonita cauda e jarretes que pareciam cordas. Eu tinha pensado: Vou levá-lo vivo para Lênin. Mas tal não aconteceu, matei o cavalo, que caiu de costas, como uma recém-casada, e o general caiu da sela. Pulou de lado e atirou novamente. Assim, agora eu me distinguiria três vezes na ação.
“- Jesus – pensei – ele pode matar-me por engano.
“Galopei em sua direção, e ele já tirara a espada. As lágrimas escorriam-lhe no rosto, lágrimas brancas, verdadeiro leite humano.
“- Por sua causa vou ganhar a Ordem da Bandeira Vermelha – grito. – Mãos ao alto, estou vivo, excelência. (...)”

sábado, 28 de julho de 2007

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Caraminguás

"O Diário [Carioca] pagou os caraminguás devidos por duas colaborações: "Canção oculta", de 28.XII.1952, e "Para esquecer", de 8.III.53. Por sinal que anda agora mais generoso, e elevou de 300 a 500 cruzeiros a tarifa de poesia. Em consequência do que, mando-lhe hoje pelo Banco Financial a importância de 800 cruzeiros. Quanto aos poemas anteriores, o pagamento deve ser feito por intermédio de um redator que até novembro do ano passado cuidava do suplemento. Não o procurei, porque será mais prático indicar-lhe a data de publicação dos dois trabalhos, e só tenho a do soneto "Abril" (29.VI.1952); quando saiu o "Retorno de Pasárgada"? (Já vê você que eu recorto todos os seus poemas e os guardo; ponho mesmo as datas respectivas, mas no "Retorno" me esqueci disso). (...) Nunca publique nada de graça, porque é um desaforo: jornais e revistas são empresas mercantis, e se aproveitam do nosso trabalho. Além disso, muitos escritores pobres necessitam desses adminículos (como dizia o nosso caro Arduíno), e se não cobrarmos pelo que publicamos eles terão dificuldade em fazê-lo. Não haverá nisso mercantilização da inteligência e muito menos da poesia, porque o ato da criação literária não ficará afetado. E ganhe seus cobrinhos suplementares, que não são de todo despiciendos nesta era de arroz vendido nas joalherias."


Carta de Carlos Drummond de Andrade a Abgar Renault. Excerto publicado no Suplemento mineiro de junho.

Qualquer dia

Estranha essa coisa de “isso poderia ter acontecido qualquer dia” (ou na versão sic: “isso podia ter acontecido qualquer dia”). Você está saindo de carro; no dia anterior seu seguro venceu. A primeira coisa que você irá fazer é renovar o seguro (e quanto a isso você nunca teve qualquer dúvida). Você, saindo da garagem, entra de ré num carro que está passando; ou, na versão diet: num motoqueiro maluco; na versão light: num ciclista que vinha na contramão; e, na versão zero: um flanelinha correndo para extorquir outro motorista (embora donzelas-culpadas sempre busquem esses tipos para os defenderem do mundo cruel – ao qual pertencem - afirmando que o atropelado já é flanelinha ali há mais de dez anos, bem antes d’eu pensar em frequentar aquela rua, que ele, enfim, já é quase da família). Enfim: você mete a bunda do seu carro em alguém no único dia em que ele ficou sem seguro em toda sua vida pós-montadora e, provavelmente, também o último dia de toda vida pré-desmanche. Era, portanto, o único dia em que exatamente isso poderia acontecer: como, então, “isso poderia ter acontecido qualquer dia”?

Fato noti-ocioso

Da redação

Segundo registro da mais nova ferramenta tecno-informativa instalada neste ignorativo (clustr-map), fomos acessados por algum brasuca que fazia a travessia da fronteira mexico-norte-americana, em busca do eldorado americano. Imaginamos que o leitor - embora não haja muito o que ler aqui ultimamente - distraía-se no meio do deserto mexicano à espera de uma brecha para passar despercebido pelos guardas estado-unidenses.

Desejamos sorte ao corajoso compatriota na terra das batatas-fritas (são francesas ou americanas, afinal?) Oxalá você faça fortuna, amigo (amigo em espanhol mesmo)! Essa opção de deixar este país se faz cada vez mais forte e tentadora, principalmente com esses últimos atentados no país. Mas olha que há quem diga por aí que o Brasil virou país de primeiro mundo, pois até 11/09 à la tupiniquim nós arrumamos. A conclusão é de cada um, conforme a coragem (a saber se é mais corajoso o que fica ou o que se vai). ¡Suerte! A todos.

domingo, 22 de julho de 2007

sexta-feira, 20 de julho de 2007

quinta-feira, 19 de julho de 2007

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Dois anos (outro plin-plin)

É a idade deste ignorativo.

A Cruz 3


"A Cruz" - janeiro de 2006
"A Cruz 2" - abril de 2006

quinta-feira, 12 de julho de 2007

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Plin-Plin em ARG07

Você também tem um blog?

Você não tem, mas não vive sem ler?

Tem dúvidas se é viciado em postação ou blogagem?

Acesse o Mingle - How Addicted to Blogging Are You? e saiba definir exatamente seu nível de dependência blogueira.

A que isso irá te levar, não sei... Quem sabe uma nova postagem para seu blog?

Como eu...

Aí vai meu resultado (surpresa para mim, que nem tenho internet em casa...):

55%How Addicted to Blogging Are You?

Mingle2 - Online Dating

terça-feira, 10 de julho de 2007

Exceções a QLDM

Uma leitora apontou uma exceção à série QLDM: as tomadas. Não fotografamos as tomadas argentinas, mas o comentário da leitora trouxe à luz o sentido de uma foto que tiramos - outra exceção: as placas dos carros.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

terça-feira, 3 de julho de 2007

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Indo



QSEDQ na Argentina: começando.


segunda-feira, 11 de junho de 2007

terça-feira, 5 de junho de 2007

domingo, 3 de junho de 2007

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Fatalidades (Este texto é pós-datado para 19 de novembro)

Para uns a vida é um enorme de possibilidades, para outros só é possível uma: viver, daí uma grande diferença - uns vivem dos cacos, outros da louça. Que para todo rio o mundo é dois, e se esquece do outro; que o atalho às vezes é mais longo e de segui-lo se atrasa o tempo. Até o amor.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

quinta-feira, 24 de maio de 2007

sexta-feira, 18 de maio de 2007

"Aurélio" (Claudinha)

- Vamos tirar o ciúme do dicionário?
- Como??
- Isso, nós podemos apagá-lo do dicionário e quem sabe assim ele não nos atormenta mais. Porque, convenhamos, quem gosta de ciúme? Ninguém! Nem o dicionário sabe explicar direito o significado dessa praga. Li outro dia e dizia algo de egoísmo, mas não sei se é isso. Eu posso dar a seguinte definição para ciúme: sentimento inútil que não leva a nada, mas apenas ao sofrimento daquele que o sente, além de poder causar brigas entre o enciumado e quem desencadeou o ciúme.
Posso ainda descrever a maneira de senti-lo assim: ardor no peito, acompanhado de calor repentino, inquietação e, posteriormente, sentimento de ânsia e enjôo.
- Tá, continue...
- Há também os tipos de ciúme. Veja só.
Ciúme do passado: dificuldade de lidar com o agora/o presente - que é o que vale - e de reconhecer, por outro lado, que o passado também contribuiu para as características atuais da pessoa. Ou seja, alguém é assim hoje pelas experiências que viveu até agora e a razão de cruzar com outro alguém pode estar justamente nessa vivência anterior.
Ciúme de amor: pode ser entendido como insegurança em relação ao ser amado.
Ciúme de amigo: sentimento de posse, egoísmo acompanhado de uma insegurança intensa do enciumado quanto aos seus valores perante o amigo.
Ciúme das coisas inanimadas: materialismo exacerbado.
- Calma, mas você que está concluindo essas definições. O dicionário não traz tudo isso.
- Tá, tá, eu sei, mas todo esse desenrolar só surgiu porque o dicionário criou o ciúme. E então, se optarmos por tirá-lo do dicionário, a sociedade nem saberá que ciúmes existem! Tudo bem, terá a fase de transição devido às pessoas que ainda conhecerão o antigo dicionário, mas com o tempo isso irá se apagando...
- Não, não dá.
- Mas por que não??? Vamos revolucionar!
- Você já assistiu a “Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças”?
- Hã?
- Pois então assista e você entenderá; não adianta tentar apagar tudo e tentar procurar as raízes, porque o sentimento em si não se apaga. Faz parte do íntimo humano.
- Mmmmm (pensando)... Ah, mas tirar o conhecimento da sociedade pode ser um passo, vai...

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Há Séculos...

" (...) 'quando se aperfeiçoar o vapor, quando unido ao telégrafo tiver feito desaparecer as distâncias, não hão de ser só as mercadorias que hão de viajar de um lado a outro do globo, com a rapidez do relâmpago; hão de ser também as idéias' (...)"

Chateaubriand citado por Machado de Assis em "O passado, o presente e o futuro da literatura".

domingo, 13 de maio de 2007

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Desabafo

Acompanho muitos sites pela internet. A maioria envolve alguma arte: literatura e fotografia são meus assuntos preferidos, nessa ordem; mas não ficam de lado o cinema, a música e a arquitetura - além daqueles desvios naturais que a rede quase nos impõe. Mas eu não quero falar sobre mim, ao contrário, isto é uma espécie de desabafo, daqueles do tipo "não é possível que eles não percebam".

É o seguinte: algum tipo de doença afeta muitos "editores" da internet e os fazem pensar que o mundo inteiro é conectado. É impossível que quem está sempre por aqui nunca tenha lido coisas do tipo, "a internet está acabando com a imprensa 'de papel'", "com o rádio", "com a televisão".

Bem, no final de 2005 68% dos brasileiros nunca tinham acessado esta nossa grande rede e 55% nunca havia sequer usado um computador. A mesma pesquisa dizia que 9,6% acessava diariamente e 24% o fizeram alguma vez em três meses. Mas isso foi em 2005. Vamos supor que no final deste ano o número tenha triplicado, vá: 30% acessa diariamente. É um exagero, claro, para os que conhecem o poder financeiro de 80% da população e podem compará-lo ao custo da internet.

Pois então. Que acabe com a imprensa "de papel" é até imaginável, embora improvável por enquanto. Mas com o rádio e a televisão? Se desses hipotéticos 30%, metade já tivessem alguma vez escutado um "pod-cast", já seria um espanto. Creio que essa metade nem sabe o que é um pod-cast. E aquela imensa parte da população que continua escutando seu rádio no carro (nas grandes cidades onde se fica muito tempo dentro do carro)? E aquela gente que tem o rádio em casa, aquelas donas-da-casa, empregadas, que ficam escutando durante suas atividades domésticas? Será que há menos donas-de-casa no Brasil do que "internautas"?

Bem, esse auê todo é parte de uma estratégia bastante usada por uma parte das pessoas cujo mundo é visto pelas janelinhas dos computadores: costumam exagerar sobre tudo o que falam (e que naturalmente leva o prefixo "http://www."). Tudo é genial, tudo é o máximo. Às vezes a gente lê e pensa "Porra, como é que eu nunca tinha visto tudo isso nesse tal Fulano?" ou "Onde é que eu estava?". Talvez seja isso mesmo que eles queiram. Polarizam uma espécie de batalha entre comunicação tradicional x internet tal qual um jovem da década de 50 (do século XIX) defendia aquelas então novíssimas teorias socialistas. Talvez tenham a esperança de um dia poderem dizer: "Eu estava lá, fui pioneiro, vanguarda, um dos responsáveis por isso que se transformou". Mas utilizam das mesmas armas: aquela propaganda maléfica cuja mensagem é basicamente "Quem tem, tá dentro, quem não tem, é um merda". Agora, vai explicar que o que eles gastam com o acesso banda larga (que na realidade dessa gente é a única opção possível) é o dinheiro que uns bons milhões de brasileiros usam para sustentar a família...

***

Não sei se era preciso, mas vou esclarecer umas coisas:
1. Não sou contra a internet (não era preciso...);
2. Não sou contra o acesso banda larga, os pod-casts, os You Tubes, etc. (tampouco...);
3. Aliás, não sou contra a maioria das coisas (nem contra quem ganha seu dinheirinho e quer gastá-lo como quiser).
4. Às vezes a gente precisa somente levantar os olhos e olhar através da janela que fica atrás da nossa tela.
5. O mundo todo é um só, nós que o dividimos e depois nos colocamos em umas dessas ilusões.
6. Tudo bem, mas vamos manter pelo menos a consciência de que é uma ilusão...

Momento QSEDQ - Política

- "Eu entendo de algumas coisas, mas de outras confesso minha total
ignorância
. Do assunto Franklin Martins, por exemplo. Só para começar, o que
faz uma pessoa que ganha - e sem nem fazer muito esforço - entre R$ 50 mil e
R$ 100 mil por mês, se demitir para aceitar um cargo onde vai passar a
ganhar R$ 8.000."
- Danuza Leão

quinta-feira, 10 de maio de 2007